ORIENTAÇÕES PASTORAIS | 09/09/2026 |

       
Prot. 025/26

ARQUIDIOCESE DE APARECIDA- SP
CÚRIA ARQUIDIOCESANA DE APARECIDA

Aparecida, 09 de setembro de 2026.

 A Igreja, Corpo Místico de Cristo, é também um corpo ordenado, no qual cada membro possui uma missão própria. A unidade da Igreja exige, portanto, comunhão, respeito à legítima autoridade e disposição para servir ao bem comum.

Nesta Arquidiocese de Aparecida, recordamos que a obediência é expressão de comunhão e virtude pastoral. Para o clero, ela encontra fundamento no vínculo de reverência e obediência ao próprio Ordinário, conforme ensina o cân. 273 do Código de Direito Canônico. Não se trata de uma obediência servil, mas filial, livre e fundada na caridade.

A obediência não significa renunciar à inteligência ou à possibilidade de diálogo. Ao contrário, a vida da Igreja exige que seus membros possam apresentar opiniões, sugestões, dificuldades e até discordâncias, sempre com respeito, prudência e espírito de comunhão.

Por isso, o diálogo fraterno deve preceder a exposição pública das questões. Aquilo que puder ser resolvido dentro da própria comunidade deve ser tratado nela: o fiel com seu Pároco, o sacerdote com Vigário Geral, e o clero com a autoridade competente. As reuniões do Presbitério, das Foranias e dos Conselhos constituem espaços privilegiados para essa escuta.

Manifestar uma opinião diferente não constitui, por si só, desobediência. A liberdade de expressão é acompanhada pela responsabilidade de preservar a caridade, a unidade e a dignidade da Igreja. O que se pede é que ninguém transforme uma divergência legítima em causa de divisão ou escândalo.

Uma vez realizado o diálogo e discernida a questão pela autoridade competente, as determinações legitimamente estabelecidas devem ser acolhidas e observadas, colocando-se o bem da Igreja acima das preferências pessoais.

Do mesmo modo, aqueles que exercem autoridade devem recordar que governar na Igreja é servir. O Arcebispo preside na caridade; o Vigário Geral coordena em seu nome; os Decanos promovem a comunhão entre os sacerdotes; e os Párocos conduzem suas comunidades. Toda autoridade deve ser exercida com clareza, justiça, prudência e caridade pastoral.

Quando a obediência é gravemente rompida, não se trata apenas da violação de uma determinação, mas de uma ferida na comunhão e na missão da Igreja. Por isso, quando necessário, a reconciliação deverá ser buscada por meio do diálogo e do restabelecimento responsável dos vínculos e deveres assumidos.

Que esta Orientação não seja compreendida como tentativa de calar qualquer voz, mas como um convite a falar com liberdade, ouvir com humildade e obedecer com espírito de comunhão. Assim, preservando a unidade e respeitando a legítima hierarquia, poderemos oferecer um testemunho mais credível do Evangelho e servir melhor ao Povo de Deus.

Pietre Burke
PE. Pietre Burke, O.A.R
VIGÁRIO GERAL

Pedro Souza
PE. PEDRO SOUZA, O.A.R
CHANCELER ARQUIDIOCESANO

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